Anita Malfatti: a beleza de uma pioneira

By | junho 8, 2022

Quando se trata de modernismo no Brasil, é natural referir-se à Semana Da Arte Moderna ou Semana de 22, como o evento que serviu de marco para a arte brasileira ser considerada de fato moderna e que até hoje está associada a nomes como Oswald de Andrade, Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral. Este é um ponto pacífico.

O que muitas vezes é obscuro ou talvez esquecido é que a abertura dos portões da arte moderna foi feita alguns anos antes pelas mãos e pincéis de uma mulher, a pintora brasileira Anita Malfatti. As obras de Anita Malfatti, então uma jovem artista, causaram a ruptura fundamental que seria o ponto de partida para o modernismo e biografia de Rachel de Queiroz.

Anita Catarina Malfatti nasceu em 1889 em São Paulo. O pai de Anita era italiano, mas ele, infelizmente, morreu durante a infância da menina. Sua mãe, que era Americana, ensinou pintura e línguas. A morte do pai parece ter afetado profundamente Anita, que aos treze anos tentou suicídio em uma pista de trem. Bem, talvez não tenha sido exatamente uma tentativa de suicídio. Há aqueles que acreditam que a garota fez isso apenas para enfrentar seu medo da morte. Uma tentativa perigosa, não achas?

Ela mesma disse em um comunicado posterior que havia sofrido na época porque não sabia que Curso tomar na vida. No entanto, foi a partir dessa experiência, que felizmente deu errado, que Anita decidiu se dedicar a algo que poderia, como ela disse, revelar a profundidade de sua sensibilidade. Ela decidiu pintar.

A educação formal de Anita em arte começou por volta de 1910, quando o pintor brasileiro foi para a Alemanha para estudar na Academia Imperial de Belas Artes, onde permaneceu até 1914. No ano seguinte, a pintora Brasileira foi para os Estados Unidos e aprofundou seus estudos em pintura, o que resultou em sua tendência expressionista.

Em 1917, de volta ao Brasil, a jovem artista reuniu algumas de suas obras e as exibiu em São Paulo.

Anita era fascinada pelo expressionismo, e podemos dizer que o artista era o maior representante do expressionismo no Brasil.

A interferência dessa estética em seu trabalho pode ser vista em pinturas como o homem das Sete cores. Um belo trabalho em que Anita usa a sinuosidade, deformação, alongamento de figuras e cores para compor uma figura. Humano realmente carregado. Esta pintura chamou a atenção imediata do escritor Mário de Andrade, um dos principais autores modernistas do país, quando a viu na primeira exposição individual de Anita em seu retorno em 1917. A admiração da obra se transformou em amizade com o pintor brasileiro e essa amizade seria um dos pilares da estrutura da semana 22.

A exposição das pinturas de Anita causou um escândalo extremo na época. Pense que ela exibiu suas obras para uma cidade que tinha sido usada apenas para pintura acadêmica tradicional. A pintura acadêmica era o padrão com o qual a elite paulista estava acostumada e ver a estética cubista da menina não era uma experiência agradável para a maioria do público e da crítica à biografia de Anita Malfatti.

Em La Rentreé, ela é capaz de capturar perfeitamente uma situação íntima sem desistir de sua técnica particular. A intimidade parece ser a palavra de ordem das pinturas de Anita, mas nesta pintura em particular, é ainda mais evidente.

É certo que a deformidade dos corpos, característica dos primeiros anos de Anita, não aparece tanto neste trabalho, mas retorna desta vez de uma forma mais estilizada. O que eu gosto nesta foto é que as duas mulheres transmitem a sensação de silêncio e, ao mesmo tempo, Unidade.

Esta é a marca registrada desta artista: as mulheres de Anita Malfatti têm em si mesmas uma força que supera o comum porque vem da própria artista. Anita deixou um pouco de si mesma em cada uma das mulheres que pintou.

Pouco depois da semana 22, Anita foi para a França, onde produziu principalmente retratos e algumas paisagens. Essas obras da pintora brasileira tinham pouco ou nada a ver com o expressionismo ao qual ela se dedicou em seus primeiros anos.

Em 1928 ela voltou ao Brasil e o que aconteceu em seu retorno foi uma recepção completamente diferente. Afinal, o interesse agora estava precisamente nas obras de Arte Moderna.

Aclamada como uma grande artista, ela foi convidada a dar aulas de desenho e pintura e o fez em muitos lugares, além de ensinar história da arte também.

Em 1963, um ano antes de sua morte, Anita tinha uma sala inteira da Bienal de Artes de São Paulo dedicada a ela e até hoje é uma das artistas mais lembradas do país. Um reconhecimento justo ao primeiro pintor moderno do Brasil.